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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Frases sobre a arte que causaram impacto

"Todas as artes contribuem para a maior de todas as artes, a arte de viver" (Bertold Brecht)

"A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, não é copiar sua aparência" (Aristóteles)


"A arte é a forma mais intensa de individualismo que o mundo conhece" (Oscar Wilde)

"A emoção estética deixa o ser humano num estado favorável à recepção de emoções eróticas. A arte é cúmplice do amor. Tire o amor e não haverá mais arte" (Remy de Gourmont)

"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade" (Pablo Picasso)

"A arte é a assinatura da civilização" (Beverly Sills)

"A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras" (Albert Einstein)

"A arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte" (Mahatma Gandhi)

"Quando alguém compra algum dos meus trabalhos de arte eu espero que seja porque desejem aprender com ele e não porque pensem que vai combinar com suas cortinas" (Christian Cardell Corbet)

"A vida bate e estraçalha a alma e a arte nos lembra que você tem uma" (Stella Adler)

"A arte alimenta-se de ingenuidades, de imaginações infantis que ultrapassam os limites do conhecimento; é ai que se encontra o seu reino. Toda a ciência do mundo não seria capaz de penetrá-lo" (Loinello Venturi)

"Não acredito na idéia de vanguarda, como não acredito em progresso na arte. Na ciência, essas idéias são aceitáveis, mas em arte o que vale é a obra encantar e provocar admiração, ou não" (Ernst Hans Gombrich)

"A arte é a contemplação: é o prazer do espírito que penetra a natureza e descobre que ela também tem uma alma. É a missão mais sublime do homem, pois é o exercício do pensamento que busca compreender o universo, e fazer com que os outros o compreendam" (Auguste Rodin)

"A arte é uma mentira. O papel do artista é convencer os outros da veracidade de suas mentiras" (Paul Klee)

"Na arte a mão nunca pode executar algo superior ao que o coração pode inspirar" (Ralph Waldo Emerson)

"Arte legítima é aquela que tem uma certa inevitabilidade: só poderia ser feita naquele momento histórico, por uma determinada pessoa, inspirada por uma visão de um mundo determinada" (Alexei Bueno)

"Toda a obra de arte é uma personalidade. O artista vive nela, depois dela ter vivido longo tempo dentro dele" (Vargas Vila)

"O maior problema de toda arte é produzir por meio de aparências a ilusão de uma realidade mais grandiosa" (Goethe)

"Os espelhos são usados para ver o rosto; a arte para ver a alma" (George Bernard Shaw)

"O artista não é um tipo diferente de pessoa, mas toda pessoa é um tipo diferente de artista" (Eric Gill)

"A arte não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver" (Paul Klee)


"A vida é a arte do encontro. Embora haja tanto desencontro na vida" (Vinícius de Moras) - atendi convite da Mell e postei uma frase sobre a mais importante das artes: a vida (*)

"Escrever sobre arte é como dançar sobre arquitetura" (George Bernard Shaw) (*)

"A arte alcança sempre a finalidade que não tem"(Otto Maria Carpeaux) (*)

"A arte é uma magia que liberta a mentira de ser verdadeira" (Theodor Adorno) (*)

"A arte tem uma maneira oblíqua de dizer as coisas, buscando zonas obscuras, a dos naufrágios. A realidade é importante, mas o filtro da arte é muito mais" (Antonio Tabucchi) (*)

(*) contribuições da Marcinha

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Dia 24 de agosto, Dia dos Artistas

De acordo com algumas expressões,

- Artista é aquele (a) camarada que “enrola” as pessoas;
- Artista é aquela pessoa que faz todo e qualquer tipo manobra prá sair bem de uma situação;
- Artista são todos os brasileiros que conseguem sobreviver e sustentar uma família com um salário mínimo;
- Artista é também aquela pessoa que muitas vezes faz “besteira”;
- Artista é que se dá bem na vida;
- Artista, às vezes, é o nosso bebezinho que faz aquela “arte” na fralda;
- Artista é aquele (a) que está sempre metido em confusão;
- Artista muitas vezes é aquele cachorrinho simpático que quando solto faz xixi na coluna da nossa casa;
- Artista é aquele cara que passa com som alto na rua da nossa casa, bem no meio da novela;
- Artista é o filho do vizinho que pega um lápis de cor e deixa sua “arte” impressa na nossa parede branca...
Então quem são os verdadeiros artistas?
Na realidade, como artista podemos definir quem consegue transformar coisas comuns, em algo de belo, ou como bem definiu Picasso, em uma mensagem onde diz: "Há pessoas que transformam o sol em uma mancha amarela, mas há aquelas que transformam uma simples mancha amarela no próprio sol...” Aí reside a diferença entre o artista comum e aquele que consegue ser o que se pode chamar de Verdadeiro Artista.

E pra estes artistas maravilhosos que a TECENDO ARTE NA REDE deseja todo o sucesso do mundo!
PARABÉNS!

Texto extraído e adptado do site http://bemcultural.wiki.zoho.com/Dia-dos-Artistas.html

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Dia 20 de agosto, Dia Mundial da Fotografia

20 de agosto - Dia Mundial da Fotografia e do Fotógrafo e da Criação da Imagem através de um orifício à fotografia digitalizada

Foi através da fotografia que o homem encontrou uma das formas mais perfeitas e práticas para gravar e reproduzir suas manifestações culturais.
Por volta de 1554, Leonardo Da Vinci descobriu o princípio da câmera escura, que é o seguinte: a luz refletida por um objeto projeta fielmente sua imagem no interior de uma câmera escura, se existir apenas um orifício para a entrada dos raios luminosos.
Baseados neste princípio, os artistas simplificaram o trabalho de copiar objetos e cenas, utilizando câmeras dos mais diversos formatos e tamanhos. Enfiavam-se dentro da câmera e ganhavam a imagem refletida em uma tela ou pergaminho preso na parede oposta ao orifício da caixa.
Não é difícil imaginar os passos seguintes desta evolução: uma lente, colocada no orifício, melhorou o aproveitamento da luz; um espelho foi adaptado para rebater a imagem na tela; e mecanismos foram desenvolvidos para facilitar o enquadramento do assunto.
Com esses e outros aperfeiçoamento, a caixa ficou cada vez menor e o artista trabalhava já do lado de fora, tracejando a imagem protegido por um pano escuro.
Etimologia
Photo (do grego, quer dizer luz) – Photos – FotoGraphy (do grego, significa escrita) – Graphos – GrafiaPhotographia – Photo Grafia – Fotografia = Luz Desenhada
Portanto, fotografia é desenhar com a luz ou “escrita da luz”. Fotografia é, como resultado final, uma imagem inalterável, criada pela reflexão da luz.
Sua classificação em uma visão geral
A fotografia reproduz o real da forma mais exata possível, pois só consegue “reproduzir” ou “duplicar” uma realidade que lhe é exterior porque opera com conceitos de “reprodução”, “objetividade” e realismo que ela própria cria e perpetua.
No primeiro momento, o uso da fotografia foi controverso, pois, para a maioria, esse processo era uma simples reprodução do real e não um processo criativo ou artístico...
Houve uma divisão entre os defensores do uso da fotografia como criação artística e os que a acusavam de servir de instrumento auxiliar para as artes.
Os primeiros fotógrafos, em sua maioria pintores, desenhistas e gravadores que queriam ampliar suas atividades e aumentar sua produção, optavam por utilizar somente essa técnica na elaboração dos retratos, principal estilo consumido por uma população ávida por se ver eternizada.
Diversos estúdios foram abertos nas grandes capitais, e as cidades menores eram visitadas pelos fotógrafos itinerantes. Por ter um manuseio complicado, a fotografia não era então praticada por amadores, sendo portanto restrita aos profissionais.
Idéia errônea, difundida nos anos 40 e 50, do século XX, por André Bazin, de que a fotografia não pertence ao domínio da cultura, mas ao das ciências naturais, porque é a própria "realidade" que se imprime a si mesma na película. Hoje, não suporta sequer a mais elementar das verificações!
Com a simulação de imagens fotográficas por computador e a possibilidade de manipular infinitamente os dados registrados na película por processos digitais, assistimos a uma demolição definitiva e possivelmente irreversível do mito da objetividade fotográfica, sobre o qual se fundaram as teorias ingênuas da fotografia como signo da verdade ou como reprodução do real...
Dia do Fotógrafo
Muitos comemoram o dia 8 de janeiro como o Dia Nacional do Fotógrafo. Mas há controvérsias... Calendários registram 6, 7, 8 e até 9 de janeiro como Dia do Fotógrafo, da fotografia, Dia Nacional do Fotógrafo e Dia Nacional da Fotografia.
Já no dia 19 de agosto, comemora-se o Dia Mundial da Fotografia. Também há quem afirme que é o Dia do Fotógrafo. E há ainda registros de comemorações no dia 15 de agosto. Já o dia do repórter fotográfico é 2 de setembro...
dia mundial da fotografia = 19/08
dia mundial do fotógrafo = dia nacional da fotografia = 15/08
dia nacional do fotógrafo = 08/01
Controvérsias à parte, foi no dia 19 de agosto de 1839 que a fotografia foi anunciada ao mundo oficialmente, em Paris, na Academia de Ciências da França, consagrando o Daguerreótipo, processo desenvolvido pelo francês Louis M. Daguérre.
Possivelmente, as datas em Janeiro referem-se à chegada do Daguerreótipo no Brasil, fato que aconteceu no primeiro mês do ano de 1840, exatamente no dia 16.
A literatura especializada dá conta diz que o abade Louis Compte trouxe a novidade de Paris para o Rio de Janeiro, e apresentou o daguerreótipo ao imperador D. Pedro II (oficialmente, o Imperador foi o primeiro fotógrafo brasileiro).
Porém, segundo o historiador Bóris Kossoy, houve uma descoberta isolada da fotografia no Brasil, pelo pesquisador Hércules Florence, seis anos antes do anúncio oficial do feito de Daguerre...
Sem conhecimento das pesquisas na Europa, Florence descobriu a fotografia e foi a primeira pessoa a usar o termo, em 15 de agosto de 1832, em Campinas – no interior de São Paulo.
Breve história da fotografia...
Evolução cronológica dos principais registros:
Grécia, antes de Cristo – Aristóteles – Criação da imagem através de um orifício. Século X – Alhazen (árabe) descreveu como observar um eclipse solar no interior de uma câmera obscura. Século XVI – Redução da câmera obscura (auxiliar na pintura). Século XIX (1826) – Joseph Nicephore Niépce (francês) foi a primeira pessoa no mundo a tirar uma verdadeira fotografia - processo heliográfico com 8 horas de exposição à luz. Ano de 1830 – Josef Petzval criou uma nova lente dupla abertura F 3.6 (30 vezes mais rápida que a anterior). 1832/1833 – Hércules Florence descobre isoladamente a fotografia na Brasil - na vila de São Carlos, atual cidade de Campinas (SP). 1835 – Louis Jacques Mandé Daguerre, firmou-se como único inventor da fotografia prática, através de seu - Daguerreótipo - chapa de cobre revestida com prata, banhada com iodeto de prata. Na presença de vapor de mercúrio surge a imagem, gerando um único positivo (era o "polaroid" da época). 1840 – Willian H. Fhox Talbot, descobre o processo negativo/positivo usando como filme folhas de papel sensibilizado (preparado para reagir à luz) que depois foi substituído por vidro. Os negativos de vidro foram usados até os anos 50. 1871 – Richard Leach Maddox, primeira chapa usando gelatina para manter o brometo de prata no lugar. 1877 – George Eastman, popularizou a fotografia com a criação do filme flexível (em rolo), que tinha o nome de "American Film" e vinha com 100 poses. 1925 – Lançamento da câmera 35mm (Leica)...

Anotem este nome

Das insignificâncias da vida (*) (**)

Bastava o perfume que os cabelos deixavam nos travesseiros
E aquele beijo trocado em plena tarde de uma segunda feira agitada
Bastava aquela conversa sobre um assunto sem nexo no café da manhã
E as gargalhadas do ser amado vendo TV em plena madrugada
Bastava estarem abraçados e ainda deitados num dia preguiçoso
E implicarem antes de um passeio por causa de uma saia minúscula
Bastava mesmo que fosse uma briguinha antes de começar o dia
E você ficar pensando o dia todo em alguma forma de reconciliação
Bastava que ele chegasse, mesmo esquecendo das compras da semana
E que ela te perguntasse a cada minuto se você a amava
São nessas pequenas horas que se descobre ter sido feliz,
Mas isso é coisa que demora uma vida toda para perceber

(*autoria de Cáh Morandi, membro da Tecendo e que o blog http://carinemorandi.blogspot.com)
(**A Cáh lançou recentemente um livro, cujo convite foi postado aqui na Tecendo. Mas ela tem me encantado com seu jeito simples, manso, pueril e ao mesmo tempo tão centrado de falar sobre as coisas simples da vida, como na poesia acima. Eu aposto neste nome. Como estou postando sem autorização da autora, com base em scrap enviado, usei de ilustração a mais pura imagem de felicidade que conheço)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Dia 22 de agosto, Dia do Folclore

O folclore é um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos, que deram origem à festas populares, que ocorrem pelo país.

As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de provas científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido às coisas do mundo. Os mitos também serviam como forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.

Algumas lendas, mitos e contos folclóricos do Brasil:
Boitatá -Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais, com capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origem indígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".

Boto - Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes da madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Curupira - Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.

Lobisomem -Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu, porém desenvolveu a capacidade de transformar-se em lobo nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo.

Mula-sem-cabeça - Surgido na região do interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.

Saci-Pererê - O saci-pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.

Curiosidades:
É comemorado com eventos e festas, no dia 22 de agosto, aqui no Brasil, o Dia do Folclore.

Em 2005, foi criado o Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro.

Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem. A data, recém criada, concorre com a forte influência norte-americana em nossa cultura, representanda pela festa do Halloween - Dia das Bruxas.

Muitas festas populares, que ocorrem no mês de Agosto, possuem temas folclóricos como destaque e também fazem parte da cultura popular.

Meu Folclore

Tá cansado,
dorme!
Tá com fome,
come!
Tá devendo,
some!
Tá com sede,
engole!
Tá querendo,
tome!
Tá fudido,
chore!

Se comprar,
consome!
Se comer,
devore!
Se gostar,
namore!
Se estudar,
decore!
Se errar,
implore!
Se nadar,
ancore!
Se viajar,
explore!
Se pecar,
ore!

Se tá ruim,
melhore,
depois
comemore!

Mas não me implore,
pra que eu melhore,
pois é sina minha
este meu folclore.

Dá que eu colabore
e você enamore
e minha liberdade
você a penhore.

Nunca me enrole
que não sou tão mole
e se eu perceber
o meu rastro some!

(Mell Glitter)

PATRÍCIA FONSECA

É de Porto Alegre, solteira, 37 anos, 20 de outubro de 1970, libriana a contragosto (por ser boazinha demais, preferia o signo de escorpião), servidora pública, chefe da Divisão de Pessoal da Secretaria das Obras Públicas do Estado, faz o curso EAD de Turismo pela UNISUL, concluiu o curso de drenagem linfática corporal, talvez faça o curso de Massoterapia, na verdade queria patinar (mas isso fica pra depois do verão, não pode correr o risco de se quebrar), é colunista do Jornal Vejo São José, gremista delirante, daquelas de ir a jogo em dias de decisão, uma simpatia. "Trocaria tudo, absolutamente tudo (turismo, drenagem, Obras Públicas) para ganhar a vida escrevendo". Veja a biografia interessante em forma de conto.

Bom, Soninha, o que posso falar sobre mim? Vou tentar ser interessante, embora eu considere meus textos bem mais atraentes.
Meu nome completinho é Patrícia da Fonseca Martins, mas como eu não gosto do meu último sobrenome, só assino meus trabalhos como Patrícia da Fonseca. Parece-me ter mais estilo.
Nasci contrariando previsões. Segundo a obstetra da minha mãe, eu deveria vir ao mundo por volta do dia 10 de novembro, do distante ano de 1970. Mas não suportei a espera. Nasci libriana (para meu desgosto) em uma tarde ensolarada de outubro, há 37 anos atrás, dia 20. Desgosto em ser libriana? Sim! Eu queria vir escorpião. Librianos são bonzinhos demais. Eu sou boazinha demais. Porto Alegre é minha terra natal. Sofro com o frio que faz aqui, com o calor que nos derrete e com aqueles domingos chuvosos que volta e meia nos tiram do sério. Mas eu aprendi que o tempo ruim está nos olhos de quem quer vê-lo. Agora, por exemplo, está um domingo horroroso, mas quando eu olho pela janela, a única coisa que enxergo é um sol brilhante. Não quero tempo ruim na minha vida. Somente o brilho do sol e a luz das estrelas.
Eu acho que aprendi a escrever ao mesmo tempo em que aprendi a ler. Com seis anos escrevi minha primeira historinha. Ela ocupava uma folha apenas e era sobre uma princesa. Minha mãe disse que adorou... Sei lá. E assim vim escrevendo, por estes trinta anos a fio, que nem uma doida varrida. Historinhas que ocupavam apenas uma folha de um caderno infantil se transformaram depois em três, quatro páginas. Com o passar do tempo, antes de surgir o computador na minha vida, eu comprava cadernos universitários e gastava litros de tinta das canetas BIC, escrevendo verdadeiros livros. Hoje me aperfeiçoei. Meus livros não estão engavetados. Estão armazenados em um pen-drive. Fiquei moderninha.
Como eu sempre detestei estudar, fui reprovada duas vezes no ensino fundamental para horror dos meus pais. Sou a filha do meio. Tanto minha irmã mais velha como meu irmão mais novo eram estudiosos, passavam por média e eu lá, vagabundeando. Até hoje sou assim. Falou em estudar, eu fico arrepiada. Às vezes até deprimida. Terminei me formando em Técnico em Secretariado na Escola Técnica de Comércio da UFRGS e há dois anos eu faço um curso EAD de Turismo pela UNISUL. Óbvio que freqüentar sala de aula, com professor, horário de entrada e saída, nem pensar. Faz uma semana concluí um curso de drenagem linfática corporal. Assim, de uma hora para outra, achei que poderia dar para a coisa. Talvez ano que vem eu faça um curso de massoterapia. Talvez. Sempre quis patinar… mas isto vai ficar para depois das minhas férias. Não posso correr o risco de me quebrar no verão. Mas a minha atividade principal é ser servidora pública. Sou chefe da Divisão de Pessoal da Secretaria das Obras Públicas do Estado. Oh, céus… Eu trocaria tudo, absolutamente tudo (turismo, drenagem, Obras Públicas) para ganhar minha vida escrevendo. Eu já sou feliz, mas para completar minha felicidade, a única coisa que eu preciso é do meu notebook e do meu pen-drive. Tá bom, um cara legal também me deixaria contente. Mas escrever é a minha cocaína. Ah, além disso tudo, faço academia também. Vou voltar pra musculação e aulas de bike são as minhas preferidas. Não gosto de ficar com a energia represada. Sem falar na minha neurastenia para manter o peso sempre abaixo do limite considerado normal.
E tem um detalhe muito interessante. Nem meus amigos mais íntimos sabem que sou escritora. Porém, morro de vergonha que leiam minhas coisas. Aqui em casa faz pouco tempo que revelei este grande Segredo. Uma vez criei coragem e fiz minha mãe ler um texto meu publicado na internet. Era sobre o gato Romeu. De novo ela disse que gostou. Será que é coisa de mãe? Meu sonho - e para mim não existem sonhos impossíveis - é ver meus livros se tornarem best sellers. Quando eu entro em livrarias, imagino-os ali, com minha foto estampada na contracapa, linda, maravilhosa, um pouquinho de fotoshop para não ficar tão palidazinha. Acredito que o universo conspira sempre a meu favor, desde que eu me ajude também. Portanto, me aguardem.

A entrevista será publicada na coluna Toda Mídia, do Jornal Vejo São José, neste final de semana confiram.
http://www.vejosaojose.com.br/todamidia.htm

sábado, 16 de agosto de 2008

Todas as vidas

Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo.
Benze quebranto. Bota feitiço...
Ogum. Orixá. Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso d'água e sabão.
Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil.
Sua coroa verde de São-caetano.
Vive dentro de mim a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro. Taipa de lenha.
Cozinha antiga toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda. Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa, de chinelinha, e filharada.
Vive dentro de mim a mulher roceira.
-Enxerto de terra, Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta.
De pé no chão. Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos, Seus vinte netos.
Vive dentro de mim a mulher da vida.
Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada...
Fingindo ser alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida - a vida mera das obscuras!
Cora Coralina

Homenagem à saudosa poeta Cora Coralina

A voz era apaixonada, vibrante.

Transbordava do coração, atravessava as cordas vocais, ganhava emoção ao ritmo das mãos, os olhos vivazes acompanhavam o tom. Histórias, poemas, contos, causos, opiniões fluíam ao ritmo entoado por Cora, mestre na arte de declamar e interpretar, capaz de confundir desavisados sobre o que era realidade, o que era fantasia.
Cora, Aninha, Anica, Anita era todas numa só, pequenina, franzina, eternamente atarefada, permanentemente escritora. Erram os que tentam reduzi-la à condição de poeta, ou poetisa. Era contista, cronista de tempos passados e presentes. Jornalista também, observadora distante e crítica, fiel redatora de fatos e acontecidos.















Escrevia com afã, no impulso, sobre qualquer papel que lhe caísse às mãos. Escrevia em bordas de jornais, em meio a cartões postais, em envelopes de cartas, em rústicos papéis de embrulhar pão. Se a inspiração transbordasse, desprezava os limites, ia desenhando letras pelos cantos, nas entrelinhas, subia e descia até que se extingüisse o desejo de expressão. Se tivesse tempo, passava a limpo, em cadernos caprichados ou em blocos de carta. Caso contrário, ficavam por ali, esquecidos em meio a livros, recortes, folhetos. Perdidos nos guardados.
Ana Lins dos Guimarães Peixoto nasceu e cresceu na casa velha da ponte, construção maciça, erguida por escravos, nos idos de 1770 para abrigar o capitão-mor de Villa Boa de Goyaz, Antonio Souza Telles de Menezes. Conta-se que o capitão foi um inconfidente, desgarrado da turma de Minas e perdido no interior de Goiás. Morreu, ou foi mandado morrer, em 1804. Entre os bens seqüestrados pela Coroa portuguesa, estava a casa, comprada em leilão pelo cônego Couto Guimarães. Meio século depois, em 1889, ali Ana foi gerada.
Virou Cora aos 15 anos, o pseudônimo uma exigência para disfarçar a escritora, que moça prendada e casadoira não perdia tempo com manuscritos. Cora, derivativo de coração, identidade que a diferenciava de tantas Anas da cidade, batizadas todas em homenagem à santa padroeira. Coralina ainda demorou algum tempo, surgiu depois, soma perfeita de sonoridade e tradução literária. Cora Coralina, coração vermelho, gostava de contar. "Lindo, não é?"
Vó Cora falava pouco de si, muito contavam dela os quatro filhos, um homem, três mulheres. Conheceu Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas, recém-nomeado chefe de Polícia de Villa Boa, durante uma tertúlia literária. Tinha 20 anos, já era uma "solteirona". Entre poemas, récitas e acirrados debates culturais se apaixonaram. Fugiu com ele para Jaboticabal, interior de São Paulo. Cantídio era homem separado, tinha filhos na capital paulista. E uma outra filha, fruto de romance com uma índia, durante passagem pelo Norte de Goiás. Essa, Cora criou.
Saraus literários ou não, Cantídio nada gostava do pendor da mulher. A Cora ousada, que deixou para trás preconceitos sociais, pouco ligava. Publicava artigos nos jornais de Jaboticabal, construía poesias e costurava contos, depois, ao mudar para São Paulo. Flagrada na cidade pela Revolução Constitucionalista de 1932, alistou-se como enfermeira - a filha mais nova, Vicência, encontrou a ficha de inscrição recentemente, perdida entre centenas de textos inéditos. Costurava bibis (bonés) para soldados, uniformes, aventais para enfermeiras. Depois, os revoltosos derrotados pelas Forças de Getúlio Vargas, encontrou outra causa. Bradou pela formação de uma partido feminino, escreveu até o manifesto da agremiação.
Enviuvou, vendeu livros editados pela José Olympio de porta em porta. Aventurou-se por Penápolis, no interior paulista, montou uma pensão, depois um pequeno comércio, a Casa de Retalhos. Desembarcou em Andradina no início da década de 50, a cidade se erguia. Abriu a Casa da Borboleta, vendia um pouco de tudo para mulheres. Montou sítio na vizinha Alfredo de Castilho. Subiu em palanques para apregoar o voto na UDN. Em 1956, filhos criados, netos embalados, voltou à "origem ancestral".
Tinha motivo - lutar pela posse da velha casa da ponte antes que, por usucapião, se transferisse para um sobrinho. Instalou-se com "seu" Vicente, um nordestino faz-tudo e analfabeto que a acompanhava desde o sítio em Castilho. "Seu" vicente, figura doce, simplório, dedicado, embebedava-se até com guaraná.
Entre móveis antigos e sob o calor do velho fogão de lenha, Cora escreveu, escreveu, escreveu. Aprendeu a datilograr aos 70 anos, publicou o primeiro livro - Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais - aos 75. Meu pai, Rúbio, minha mãe, Vicência, meus três irmãos e eu passamos uma temporada com Cora nesse tempo. Meu pai datilografa os manuscritos numa antiga Olivetti. Ela, ao lado, ainda remendava os textos, processo contínuo de criação.
Sou neta de Cora, herdeira de seu nome de batismo, orgulhosa dessa descendência. Cresci escavando o porão da casa velha da ponte atrás do ouro do capitão-mor - que ela contava ter sido escondido por um escravo de confiança do inconfidente. Cheguei à adolescência ouvindo-a declamar, com cativante êxtase, poemas recém-terminados. Acreditei em histórias inventadas. Empanturrei-me de seus doces, apurados dias e dias em tachos de cobre, caprichosamente arrumados em caixas de papelão, dinheiro da venda depositado na poupança. Economias que permitiram a compra, em leilão, da velha casa.
A cada dia, hoje adulta, ela de volta à terra, eternamente ligada à cidade que tanto amou, descubro um pouco mais sobre Cora. Há tanto material ainda inédito além dos apresentados nessa edição de Idéias. Há tanta vida ainda a publicar. Até livro de receitas, selecionadas ao longo da existência - maneira antiga de cozinhar, que exige tempo e capricho - espera hora e interesse para chegar ao prelo. Cora deixou um mundo a desvendar. Sua herança, minha herança.


Texto de Ana Maria Tahan - editora de Brasil do JB e neta de Cora Coralina .

19 DE AGOSTO -DIA DO ARTISTA DE TEATRO E DIA DO ATOR




O mundo todo é um palco e nós meros artistas. O artista, em sintonia com o universo, pode através de sua arte produzir obras que encantam, comovem, despertam emoções e sentimentos. A arte de cantar, dançar ou dominar um instrumento é aquela que mais nos aproxima do Criador e nos coloca em sintonia.
PARABÉNS À TODOS OS ARTISTAS DO PLANETA!!

casar ou não casar?

Já dizia o poeta, “...é impossível ser feliz sozinho...”, mesmo estando solteiras, as pessoas não admitem estar infelizes, ou uma opção. Muitos, assim como eu, avessos a baboseiras teístas, nunca ficará de frente a um altar ouvindo coisas que em nada acrescenta em nossas vidas. Somos como um óvulo, ou um espermatozóide, apesar de sermos uma união dos dois, não somos inteiros, sem o outro. Isso independe da forma. Tem uns, que se unem, mas cada um vive sua vida, outros dominam os parceiros, de uma forma brutal, apagando qualquer feição que se tenha.

Ao contrario do que pregam nas religiões, e o símbolo dominante da argola dourada, o casamento não é, nem pode ser, uma união. Assim como não podemos viver sozinhos, não podemos viver presos, e a argolinha dourada é uma algema. Mesmo quem não usa, sente-se preso, menos mal que o supremo baixou uma lei proibindo o uso de algemas, mas como no caso, de um casamento a sentença já está dada, pode usar a vontade.

Esta intersecção que forma um casamento depende muito da ética de cada um. Precisamos de confiança um no outro, para que tenhamos nossas diferenças básicas, nossos egoísmos intrínsecos e que as pequenas semelhanças sejam fortes para manter-se unidos.

Eis, a questão...

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Dia 15 de agosto, Dia do Solteiro

SOU FELIZ E NÃO TENHO MARIDO (*)(**)

Viviana, uma mulher comum, casada há 27 anos, conseguiu realizar seu grande sonho e lança o livro “Não sou feliz, mas tenho marido”. E, durante a coletiva de imprensa para falar da obra, encurralada pelos jornalistas, ela reforça aquilo que o título do livro indicava: seu casamento está em constante prova de força entre a harmonia do casal ou a preservação da individualidade. O roteiro poderia ter como modelo qualquer mulher dos anos 50, 60 e 70 do século passado. Trata-se de um monólogo baseado no livro de crônicas da escritora argentina Viviana Gómes Thorpe, retratando experiências recentes.
Interpretado pela brilhante Zezé Polessa, a peça originária do livro chega a Porto Alegre na metade de agosto, mas chama a atenção porque cutuca com humor e ironia em problemas enfrentados pelos casais atuais. A falta de diálogo, a poupança para bancar planos futuros, o amor masculino pelos automóveis, televisão e futebol, as horas que a mulher passa no salão de beleza ou o enorme apego feminino à sua família. A mesmice servida à mesa diariamente para manter as aparências ou o medo de trocar de estado civil. Tudo exposto sem nenhum botox para diminuir as rugas. Com as vísceras à mostra.
Na realidade, o livro tornou-se um best-seller e figurou na lista dos mais vendidos nove meses consecutivos na Argentina. A autora arrumou inspiração para escrever em tom 95% autobiográfico ao ser informada, após 27 anos de casada, pelo seu próprio marido, que ele comemoraria a data trocando-a por uma mulher de 27 anos. A Viviana, encarnada pela Zezé Polessa, ou a original argentina, não é um caso único. Quem sabe a sua colega de faculdade com aquele ar de superior? Ou a sua vizinha do 402? Não importa o nome. Mas existem muito mais Vivianas por aí, vivendo das aparências, apesar de toda libertação feminina.
O que posso dizer? Apenas que o livro é muito bom. Excepcional. E, se o seu relacionamento não anda na fase da lua-de-mel, a leitura pode ser o empurrão necessário para a decisão de ir cada um para o seu lado, voltar a ser indivíduo e se descobrir novamente. Não é preciso mais sorrir amarelo para aquele amigo de infância idiota do seu companheiro que sempre faz piadinhas imbecis. Nem fingir que perdoa a preferência escancarada da sogra pela outra nora. E muito menos calar o grito de gol do seu time porque não é o mesmo do seu marido e ele já deixou claro várias vezes que isso é provocação.
Terminar um relacionamento de muitos anos é como disse a autora, numa entrevista à Revista Época, na edição de 17 de julho de 2006, fugir de Alcatraz e jamais aceitar ser presa novamente. “Depois de haver cumprido prisão perpétua, porque 27 anos é prisão perpétua, sou como um fugitivo de Alcatraz, não quero ser capturado novamente de jeito nenhum”, destacava a Viviana argentina na entrevista. Acho que a minha identificação com a Viviana é plena: tanto no período em que esteve casada e no pós-separação. Assim como ela, sou destas mulheres que se enamoraram definitivamente da solidão.
Compactuo com Viviana atual a fúria dos convertidos. Durante um tempo pratiquei o matrimônio com devoção. Mas agora deixei de ser masoquista ou de tentar ensinar analfabetos inúteis. Para isso, é necessária muita vocação e, na grande maioria dos relacionamentos, pisotear todo o dia um pouquinho naquela pessoa que você realmente é. Até chegar o irreversível dia em que você deixou de existir. Por isso, alertem as Vivianas que vocês conhecem. Já podemos sim dizer que somos felizes sem um marido a tiracolo. Ou melhor, que servimos a nós mesmas.

(*márcia fernanda peçanha martins)

(**não sabia da existência do Dia do Solteiro (a), mas o texto publicado no coletiva.net. de minha autoria encaixa-se tão bem na data)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ARTUR GOMES

Cartola e As Raízes do Samba
Lene Moraes e Banda + Artur Gomes
Dia 15 agosto 18:00h – Praça São Salvador
Realização: Fundação Municipal Zumbi dos Palmares
Campos dos Goytacazes-RJ

Fernando Aguiar – A Problemática da Dificuldade,
um filme de Artur Gomes

http://br.youtube.com/watch?v=5CA-pVzC4fg

jura secreta número 2

não fosse esse punhal de prata
mesmo se fosse
e eu não quisesse
o sangue sob o teu vestido
o sal no fluxo sagrado
sem qualquer segredo
esse rio das ostras
entre suas pernas
o beijo no instante trágico
a lingua
sem que ninguém soubesse
no silêncio
como susto mágico
e esse relógio sádico
como um marquês de sade
quando é primavera.

Artur Gomes
http://youtube.com/fulinaima
oficina vídeo teatro poesia
http://youtube.com/oficinavideo

terça-feira, 12 de agosto de 2008

12 DE AGOSTO - DIA NACIONAL DA ARTE

Expressão de um povo. Tradução do pensamento de uma época. Exteriorização dos anseios humanos. A arte, por sua função pura e simples, tem seu quê de poesia e divagação. Uma forma criativa e peculiar que o homem desenvolveu para se fazer entender, utilizando a beleza dos eufemismos e da subjetividade.
O teatro, a literatura, as artes plásticas, o cinema. Cada qual com sua importância, cada qual com suas idiossincrasias. A partir de meados da década de 90, o Brasil vem conhecendo uma extraordinária retomada de suas atividades culturais. O cinema foi a primeira área a beneficiar-se disso. O sucesso com que foram recebidos pelo público filmes como O Quatrilho, O Que é Isso Companheiro? e Central do Brasil indica que o cinema brasileiro poderá reconquistar, a curto prazo, o lugar de destaque que havia alcançado no panorama cultural, no início dos anos 60. É um sinal de que a indústria cinematográfica tem futuro no país.
Mas o cinema não é o único. A retomada cultural no Brasil pode ser percebida também na música, na literatura e, mais importante ainda, em um extraordinário fenômeno de mídia, que reflete o interesse dos brasileiros pela produção cultural do País. Certamente, a revalorização das atividades dos museus e das artes plásticas - com exposições de pintura e escultura de artistas como Rodin, Miró, Monet e Maillol, sem esquecer a própria Bienal de Artes de São Paulo - são reflexos desse interesse. O Brasil é um país de cultura extremamente rica e diversificada. A origem dessa característica está no peculiar processo de formação da sociedade brasileira, que, desde o seu nascimento, recolheu a generosa contribuição de povos e etnias tão diferentes quanto os índios autóctones, os portugueses descobridores, os africanos feitos escravos e, depois, franceses, espanhóis, holandeses, italianos, japoneses, árabes e tantos outros. Essas experiências diversas refletiram-se na arte produzida por aqui: criativa e fascinante. Parabéns a todos os artistas do país!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ANTOLOGIA DELICATTA NA BIENAL SÃO PAULO

Prestigiem o lançamento da
Antologia Delicatta,Poesia, contos e Crônicas
,
coordenada da por Luiza Moreira,
no estande (foto abaixo) da
XX Bienal Internacional do Livro em São Paulo.
Quando: 17 de agosto, domingo, às 16 horas em Sampa.
Onde: Parque de Exposições Anhembi
Estande Scortecci - Avenida 1 D


sábado, 9 de agosto de 2008

Gerundismo


Por Ricardo Freire

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo. Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet.

O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem
precisa estar escutando.

Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral.

Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo.

Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho. Sinceramente: nossa paciência está ficando a ponto de estar estourando.

O próximo "Eu vou estar transferindo a sua ligação" que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.

As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia.

Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que "We'll be sending it tomorrow" possa estar tendo o mesmo significado que "Nós vamos estar mandando isso amanhã" acabou por
estar sendo só um passo.

Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações. A gravidade da situação só
começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo.

A primeira pessoa que inventou de estar falando "Eu vou tá pensando no seu caso" sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade lingüística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas. Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como "O que cê vai tá fazendo domingo?" ou "Quando que cê vai tá viajando pra praia?", ou "Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa".

Deus, o que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações?

A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o "a nível de", o "enquanto", o "pra se ter uma idéia" e outros menos votados.

A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?

Matéria publicada no Jornal O Estado de S. Paulo, em 16 de fevereiro de 2001

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

JORGE AMADO: um dos principais escritores da literatura brasileira


Jorge Amado nasceu em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna (Bahia). Filho do "coronel" João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado, foi para Ilhéus com apenas um ano e lá passou a infância e descobriu as letras. A adolescência, viveria em Salvador, no contato com aquela vida popular que marcaria sua obra. Aos 14 anos, começou a participar da vida literária de Salvador, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que juntamente com os do Arco & Flecha e do Samba desempenhou importante papel na renovação das letras baianas. Entre 1927 e 1929, foi repórter no "Diário da Bahia", época em que também escreveu na revista literária "A Luva". Estreou na literatura em 1930, com a publicação da novela "Lenita", escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro.
Seus primeiros romances foram "O País do Carnaval" (1931), "Cacau" (1933) e "Suor" (1934). Formou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro (1935), mas nunca exerceria a profissão de advogado. Em 1939, foi redator-chefe da revista "Dom Casmurro". De 1935 a 1944, escreveu os romances "Jubiabá", "Mar Morto", "Capitães de Areia", "Terras do Sem-Fim" e "São Jorge dos Ilhéus". Em parte, devido ao exílio no regime getulista, Jorge Amado viajou pelo mundo e viveu na Argentina e no Uruguai (1941/42) e, depois, em Paris (1948/50) e em Praga (1951/52).
Voltou para o Brasil durante o segundo conflito mundial, redigiu a seção "Hora da Guerra" no jornal "O Imparcial" (1943/44). Mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário "Hoje" (1945). Anos depois, no Rio, participaria da direção do semanário "Para Todos" (1956/58). Em 1945, foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo participado da Assembléia Constituinte de 1946 (pelo Partido Comunista Brasileiro) e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Nessa condição, foi responsável por várias leis que beneficiaram a cultura.
De 1946 a 1958, escreveria "Seara Vermelha", "Os Subterrâneos da Liberdade" e "Gabriela, Cravo e Canela". Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras (sucedendo a Otávio Mangabeira). Na década de 1960, lançou os romances "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água", "Os Velhos Marinheiros, ou o Capitão de Longo Curso", "Os Pastores da Noite", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tenda dos Milagres". Nos anos 1970, viriam "Teresa Batista Cansada de Guerra", "Tieta do Agreste" e "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".
Suas obras foram traduzidas para 48 idiomas e adaptadas para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão e até as histórias em quadrinhos, não só no Brasil, mas em Portugal, França, Argentina, Suécia, Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia, Itália e Estados Unidos. Seus últimos livros foram "Tocaia Grande" (1984), "O Sumiço da Santa" (1988) e "A Descoberta da América pelos Turcos" (1994). Sua esposa, Zélia Gattai, é autora de "Anarquistas, Graças a Deus" (1979), "Um Chapéu Para Viagem" (1982), "Senhora Dona do Baile" (1984), "Jardim de Inverno" (1988), "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). O casal teve dois filhos: João Jorge e Paloma. Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma árvore (uma mangueira) em sua casa.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Lygia Fagundes Telles, uma menina com 85 anos

Com o riso aberto de quem vê o mundo com humor, a escritora paulistana Lygia Fagundes Telles vive dias agitados aos 85 anos: assiste a Ciranda de Pedra, atual novela das 18h da TV Globo inspirada em seu livro homônimo, terá sua obra-prima "As Meninas" adaptada para o teatro e prepara-se para escrever um novo romance.

Lygia Fagundes Telles não seguiu o conselho dado pela amiga Clarice Lispector para não sorrir em fotografias, “porque uma escritora sorridente não é levada a sério”. Sem menosprezar a dica de Clarice, principalmente em função do avanço feminino em diversas áreas que começava a se esboçar, Lygia desobedeceu a orientação. E esbanjando sorrisos ou em poucas fotos austeras, a escritora, com 85 anos, colhe, em vida, os aplausos normalmente concedidos aos famosos após a morte.
A atual novela das 18h, “Ciranda de Pedra”, exibida pela Rede Globo, é baseada em seu livro homônimo. No SESC Consolação, um monólogo dramático extraído do conto “A Confissão de Leontina” está em cartaz, e uma adaptação de sua obra-prima, o romance “As Meninas”, começa a ser produzida para o teatro. Para completar, foi relançado o roteiro cinematográfico Capitu, redigido em parceria com o seu segundo marido, Paulo Emílio Sales Gomes.
Dona de uma escrita límpida, amplo vocabulário e uma sutil modulação de frases, Lygia alcança sua grande conquista literária no estilo. Com naturalidade, seu texto pode ser coloquial ou mergulhar fundo para compor uma frase que lembre o século XIX ou uma locução mais poética.
Nos contos, caminha, na maior parte, para a descrição fantástica, enquanto os romances tendem para o realismo. No livro “As Meninas”, de 1973, o realismo chegou a chocar setores da sociedade, ao tratar de tortura e outras deturpações vividas por três moças no período da ditadura militar. Expôs nas personagens Lia, Lorena e Ana Clara um misto de inadequação e rejeição. O livro tornou-se um dos grandes títulos da ficção brasileira do século XX.
Com trânsito livre nas rodas sociais e de estudantes na capital paulista nos anos 40, Lygia era uma ativista cultural na Faculdade de Direito e organizava saraus com autores famosos no grêmio estudantil. Levou a São Paulo, na época, nomes como Cecília Meireles e Erico Verissimo. É uma imortal na Academia Brasileira de Letras e integrante da Academia Paulista de Letras.
Sobre a morte, que já ceifou alguns membros familiares de intensa ligação, como o seu filho, aos 52 anos, ou seu segundo marido, Lygia diz que teve que lidar com a perda de pessoas próximas. "Há uma soma de seres que eu amei e que já se foram, mas, de um certo modo, eles ficaram um pouco em mim", afirma. "É difícil explicar com clareza, mas eu chamaria, assim, uma espécie de legado. E o fato é que me impregnei desse legado lá no indefinível que nos habita, a alma."

Principais obras
Ciranda de Pedra
- Lançado em 1954, o romance representa um marco na obra de Lygia, que o considera o seu primeiro livro maduro. É a história de Virgínia, caçula de uma família que se desfaz com a separação dos pais e, depois, a morte da mãe. Investigação psicológica do sentimento de rejeição, a obra originou duas telenovelas – uma delas em exibição atualmente.
As Meninas - História de três garotas que vivem em um pensionato de freiras enquanto cursam a universidade nos anos da ditadura militar. Na obra, Lygia demonstra todo o seu artesanato narrativo ao alternar os pontos de vista das jovens.

Seminário dos Ratos - Com 14 contos, a coletânea de 1977 traz elementos fantásticos, aproximando-se do realismo mágico. As Formigas, por exemplo, narra a história de duas jovens que encontram um caixote de ossos na pensão onde vivem.

A Disciplina do Amor - Publicado em 1980, este é talvez um dos livros mais pessoais de Lygia. Fragmentário, traz trechos de diários, crônicas, histórias curtas, anotações sobre escritores que a autora admira – do padre Vieira a Simone de Beauvoir.

Durante aquele estranho chá
- Primeiro livro de Lygia composto
somente de textos de não-ficção, esta coletânea traz matéria variada: memórias, crônicas de viagem (com destaque para o Irã), retratos de amigos e escritores como Jorge Amado, Clarice Lispector e Mário de Andrade.
Capitu - Escrito a quatro mãos com o marido, Paulo Emílio Sales Gomes, Capitu é um inteligente roteiro para uma adaptação cinematográfica de Dom Casmurro, que seria filmada em 1967 por Paulo César Saraceni. O roteiro ganhou nova edição em livro em agosto.
(*) fragmentos com base em matéria publicada na Veja São Paulo, do dia 6/agosto, assinada por Mario Rodrigues
postada por Márcia Fernanda Peçanha Martins

A língua portuguesa nos apronta cada uma (capítulo 2)


Crase antes de plurais (*)

Mais uma da nossa Língua Portuguesa. Todos têm domínio. Mas ela é danadinha. E, volta e meia, pode nos colocar em encruzilhadas. Então, sem nenhuma intenção de ofender ou idéia de superioridade, proponho que postem, sempre que possível dicas para as nossas dúvidas mais cruéis (e elas existem sim!!!!)

"A proibição da cobrança já constava em regulamento de TV por assinatura que entrou em vigor em junho. O texto confuso do documento, porém, dava margem à diferentes interpretações - a ABTA, por exemplo, entendeu que poderia continuar cobrando a mesma coisa."


No fragmento acima, vemos o "a" incorretamente acentuado. O redator entendeu ter ocorrido crase e aplicou o acento grave na preposição "a". A crase, como sabemos, é a fusão de dois sons vocálicos (hoje se verifica apenas a fusão da preposição "a" com os artigos definidos "a" e "as", bem como com os pronomes demonstrativos "a" e "as" e com a vogal inicial dos demonstrativos "aquele (s)", "aquela (s)" e "aquilo" e com a vogal inicial dos pronomes relativos "a qual" e "as quais").

A preposição "a", na frase em questão, não se fundiu com artigo - e isso é facilmente perceptível porque, diante de um substantivo no plural, só poderia haver um artigo no plural (para haver crase, seria necessário um artigo "as" antes de "diferentes interpretações"). Na verdade, não ocorre crase porque não ocorre artigo na construção "dava margem a diferentes interpretações". O "a" que antecede um termo no plural nunca é craseado.

Veja, abaixo, a frase corrigida:
"A proibição da cobrança já constava em regulamento de TV por assinatura que entrou em vigor em junho. O texto confuso do documento, porém, dava margem a diferentes interpretações --a ABTA, por exemplo, entendeu que poderia continuar cobrando a mesma coisa".

Fonte: Paulo Ramos é jornalista, professor e consultor de língua portuguesa do Grupo Folha-UOL

postado por Márcia Fernanda Peçanha Martins

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

HÁ 46 ANOS O MUNDO PERDIA MARILYN MONROE

Seu fim aconteceu na manhã do dia 4 de agosto de 1962. Aos 36 anos, Marilyn faleceu enquanto dormia em sua casa em Brentwood, na Califórnia. A notícia foi um choque, propagado pela mídia, explorando sobretudo o caráter misterioso em que o fato se deu, prevalecendo a versão oficial de overdose e pela ingestão de barbitúricos. O brilho e a beleza de Marilyn faziam parecer impossível que ela tivesse deixado a todos. Ninguém sabe de fato o que aconteceu naquela noite. Ouviu-se o barulho de um helicóptero. Uma ambulância foi vista esperando fora da casa dela antes que a empregada desse o alarme. As gravações de seus telefonemas e outras evidências desapareceram. O relatório da autópsia foi perdido. Toda a documentação do FBI sobre sua morte foi suprimida e os amigos de Marilyn que tentaram investigar o que acontecera receberam ameaças de morte. No dia 8 de agosto de 1962, o corpo de Marilyn foi velado no Corridor of Memories, nº 24, no Westwood Memorial Park em Los Angeles.
Durante sua carreira, Marilyn atuou em 30 filmes e deixou por terminar Something's Got to Give. Seu nome representa ainda hoje mais que uma estrela de cinema e rainha do glamour, sendo para muitos um ícone, sinônimo de beleza e sensualidade.
Marilyn Monroe personificou o glamour de Hollywood com incomparável brilho e energia que encantaram o mundo.
CURIOSIDADE: O ex-marido de Marilyn, Joe Dimaggio, enviou 6 rosas vermelhas para a sua sepultura 3 vezes por semana, durante 20 anos após a sua morte.

O INÍCIO DO SONHO
Aos 18 anos, quando trabalhava numa fábrica, Norma foi descoberta por um fotógrafo e virou modelo. Foi nessa época que ela topou posar nua por apenas US$ 50. "Eu precisava desesperadamente do dinheiro", afirmou anos depois. As fotos viriam à tona mais tarde, em 1953, na primeira edição da revista “Playboy”, quando ela já era um grande nome de Hollywood. Depois de dois anos trabalhando como modelo e estudando teatro, Norma resolveu dar uma grande virada em sua vida: divorciou-se de seu primeiro marido, tingiu os cabelos de loiro, mudou seu nome para Marilyn Monroe e fechou contrato com os estúdios Twentieth Century Fox. A partir daí, Marilyn assumiu papéis cada vez maiores nos filmes do estúdio, culminando com os sucessos “Torrente de paixão”, “Os homens preferem as loiras” e “Como agarrar um milionário”, de 1953, que a elevaram ao status de estrela. Seu visual voluptuoso, seu jeito de garota ingênua e burrinha e sua voz sensual estabeleceram sua fama e consagraram sua imagem como clichê erótico em alta até hoje.
Entretanto, Monroe foi ficando cada vez mais insatisfeita com os papéis que lhe eram oferecidos e desejava desenvolver mais seu talento como atriz. Em 1954, a estrela partiu para Nova York para estudar teatro com o renomado professor de arte dramática Lee Strasberg. O motivo por que o talento de Marilyn como atriz nunca foi reconhecido é, ironicamente, o mesmo por que ela continua fascinando platéias: a naturalidade que ela transparecia na tela parecia dar acesso direto à sua personalidade na vida real, a figura pública da estrela superava as personagens. Porém, sua complexidade como atriz foi comprovada em alguns de seus últimos filmes, tais como “Nunca fui santa” (1956) e “O príncipe encantado” (1957), ambos lançados por meio de sua própria produtora, fundada em 1956. O reconhecimento de seu trabalho só ficou completo em 1959, quando ela protagonizou “Quanto mais quente melhor”, dirigido por Billy Wilder, que lhe valeu o Globo de Ouro de melhor atriz.
OS ÚLTIMOS DIAS
Mas se para Marilyn era difícil lidar com o assédio do público e os ataques da crítica, muito mais difícil era trabalhar com a estrela no set de filmagens. Aos poucos, a loira construiu uma péssima reputação nos bastidores dos estúdios de cinema, com seus atrasos constantes e seus problemas pessoais e de saúde invadindo sua rotina de trabalho. “Eu consigo chegar no dia, não na hora”, disse a atriz certa vez em resposta às reclamações de produtores.
Viciada em álcool e tranqüilizantes, Marilyn foi internada várias vezes em clínicas psiquiátricas e enfurecia diretores com a dependência extrema que tinha de sua consultora dramática, Paula Strasberg (mulher de Lee Strasberg). Sua falta de profissionalismo culminou com seu corte do elenco de “Something’s gotta give”, uma comédia de George Cuckor que virou lenda em Hollywood pelos prejuízos causados por Monroe. No longa, a loira protagoniza a primeira cena de nu da história dos estúdios americanos, em que nada numa piscina como veio ao mundo. Antes que as filmagens terminassem, Marilyn foi encontrada morta após tomar 40 comprimidos de um forte tranqüilizante. A versão oficial é de que, tomada pela depressão, a estrela se matou, mas na cabeça dos fãs ainda ressoa o mistério: suicídio ou assassinato?
Marilyn Monroe certamente não foi a atriz mais bonita ou mais talentosa da história de Hollywood, mas seu jeito ao mesmo tempo ingênuo e sensual liberava uma mágica única, que fez dela a maior estrela de todos os tempos do cinema mundial.

Poesias e borboletas

“Eu escrevo sem mãos, sem cabeça, sem pernas, sem corpo nenhum.

Eu escrevo sem rima, sem gramática, sem conotação.

Eu só escrevo com a alma, com o invisível coração que nela carrego.”

Carine Letícia Morandi, filha de Noemia Firmino de Brum e de Laudir Morandi nasceu em 14 de agosto de 1987 na cidade de Santa Izabel do Oeste, Paraná. No ano de 1994 muda-se com a família para a cidade de Navegantes, Santa Catarina, onde reside até os dias atuais.

Conclui o ensino médio no ano de 2004, onde logo em seguida, no ano de 2005 ingressa no curso de Administração de Empresas.


domingo, 3 de agosto de 2008

Geometria dos ventos


Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao
mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

(Poesia feita em homenagem ao poema
"Geometria dos Ventos" de Álvaro Pacheco)

Rachel de Queiroz

sábado, 2 de agosto de 2008

RACHEL DE QUEIROZ

"[...] tento, com a maior insistência, embora com tão precário resultado (como se tornou evidente), incorporar a linguagem que falo e escuto no meu ambiente nativo à língua com que ganho a vida nas folhas impressas. Não que o faça por novidade, apenas por necessidade. Meu parente José de Alencar quase um século atrás vivia brigando por isso e fez escola."
RACHEL DE QUEIROZ

Em 4 de agosto ,a escritora Rachel de Queiroz é eleita a primeira mulher para a Academia Brasileira de Letras, no ano de 1977.

QUEM FOI RACHEL DE QUEIROZ
Rachel de Queiroz, nasceu em Fortaleza (CE), no dia 17 de novembro de 1910, filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descendendo, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar (sua bisavó materna — "dona Miliquinha" — era prima de José de Alencar, autor de "O Guarani"), e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas em Quixadá, onde residiam e seu pai era Juiz de Direito nessa época.
Em 1913, voltam a Fortaleza, face à nomeação de seu pai para o cargo de promotor. Após um ano no cargo, ele pede demissão e vai lecionar Geografia no Liceu. Dedica-se pessoalmente à educação de Rachel, ensinando-a a ler, cavalgar e a nadar. As cinco anos, a escritora leu "Ubirajara", de José de Alencar, "obviamente sem entender nada", como gostava de frisar.
Fugindo dos horrores da seca de 1915, em julho de 1917 transfere-se com sua família para o Rio de Janeiro, fato esse que seria mais tarde aproveitado pela escritora como tema de seu livro de estréia, "O Quinze".
Logo depois da chegada, em novembro, mudam-se para Belém do Pará, onde residem por dois anos. Retornam ao Ceará, inicialmente para Guaramiranga e depois Quixadá, onde Rachel é matriculada no curso normal, como interna do Colégio Imaculada Conceição, formando-se professora em 1925, aos 15 anos de idade. Sua formação escolar pára aí.
Rachel retorna à fazenda dos pais, em Quixadá. Dedica-se inteiramente à leitura, orientada por sua mãe, sempre atualizada com lançamentos nacionais e estrangeiros, em especial os franceses. O constante ler estimula os primeiros escritos. Envergonhada, não mostrava seus textos a ninguém.
Em 1926, nasce sua irmã caçula, Maria Luiza. Os outros irmãos eram Roberto, Flávio e Luciano (já falecidos).
Com o pseudônimo de "Rita de Queluz" ela envia ao jornal "O Ceará", em 1927, uma carta ironizando o concurso "Rainha dos Estudantes", promovido pela publicação. O diretor do jornal, Júlio Ibiapina, amigo de seu pai, diante do sucesso da carta, a convida para colaborar com o veículo. Três anos depois, ironicamente, quando exercia as funções de professora substituta de História no colégio onde havia se formado, Rachel foi eleita a "Rainha dos Estudantes". Com a presença do Governador do Estado, a festa da coroação tinha andamento quando chega a notícia do assassinato de João Pessoa. Joga a coroa no chão e deixa às pressas o local, com uma única explicação "Sou repórter".
Seu pai adquiri o Sítio do Pici, perto de Fortaleza, para onde a família se transfere. Sua colaboração em "O Ceará" torna-se regular. Publica o folhetim "História de um nome" — sobre as várias encarnações de uma tal Rachel — e organiza a página de literatura do jornal.
Submetida a rígido tratamento de saúde, em 1930, face a uma congestão pulmonar e suspeita de tuberculose, a autora se vê obrigada a fazer repouso e resolve escrever "um livro sobre a seca". "O Quinze" — romance de fundo social, profundamente realista na sua dramática exposição da luta secular de um povo contra a miséria e a seca — é mostrado aos pais, que decidem "emprestar" o dinheiro para sua edição, que é publicada em agosto com uma tiragem de mil exemplares. Diante da reação reticente dos críticos cearenses, remete o livro para o Rio de Janeiro e São Paulo, sendo elogiado por Augusto Frederico Schmidt e Mário de Andrade. O livro logo transformaria Rachel numa personalidade literária. Com o dinheiro da venda dos exemplares, a escritora "paga" o empréstimo dos pais.
Em março de 1931, recebe no Rio de Janeiro o prêmio de romance da Fundação Graça Aranha, mantida pelo escritor, em companhia de Murilo Mendes (poesia) e Cícero Dias (pintura). Conhece integrantes do Partido Comunista; de volta a Fortaleza ajuda a fundar o PC cearense.
Casa-se com o poeta bissexto José Auto da Cruz Oliveira, em 1932. É fichada como "agitadora comunista" pela polícia política de Pernambuco. Seu segundo romance, "João Miguel", estava pronto para ser levado ao editor quando a autora é informada de que deveria submetê-lo a um comitê antes de publicá-lo. Semanas depois, em uma reunião no cais do porto do Rio de Janeiro, é informada de que seu livro não fora aprovado pelo PC, porque nele um operário mata outro. Fingindo concordar, Rachel pega os originais de volta e, depois de dizer que não via no partido autoridade para censurar sua obra, foge do local "em desabalada carreira", rompendo com o Partido Comunista.
Publica o livro pela editora Schmidt, do Rio, e muda-se para São Paulo, onde se aproxima do grupo trotskista.
Nasce, em Fortaleza, no ano de 1933, sua filha Clotilde.
Muda-se para Maceió, em 1935, onde faz amizade com Jorge de Lima, Graciliano Ramos e José Lins do Rego. Aproxima-se, também, do jornalista Arnon de Mello (pai do futuro presidente da República, Fernando Collor, que a agraciou com a Ordem Nacional do Mérito). Sua filha morre aos 18 meses, vítima de septicemia.
O lançamento do romance "Caminho de Pedras", pela José Olympio (RJ), se dá em 1937, que seria sua editora até 1992. Com a decretação do Estado Novo, seus livros são queimados em Salvador (BA), juntamente com os de Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos, sob a acusação de subversivos. Permanece detida, por três meses, na sala de cinema do quartel do Corpo de Bombeiros de Fortaleza.
Em 1939, separa-se de seu marido e muda-se para o Rio, onde publica seu quarto romance, "As Três Marias".
Por intermédio de seu primo, o médico e escritor Pedro Nava, em 1940 conhece o também médico Oyama de Macedo, com quem passa a viver. O casamento duraria até à morte do marido, em 1982. A notícia de que uma picareta de quebrar gelo, por ordem de Stalin, havia esmigalhado o crânio de Trótski faz com que ela se afastasse da esquerda.
Deixa de colaborar, em 1944, com os jornais "Correio da Manhã", "O Jornal" e "Diário da Tarde", passando a ser cronista exclusiva da revista "O Cruzeiro", onde permanece até 1975.
Estabelece residência na Ilha do Governador, em 1945.
Seu pai vem a falecer em 1948, ano em que publica "A Donzela e a Moura Torta". No ano de 1950, escreve em quarenta edições da revista "O Cruzeiro" o folhetim "O Galo de Ouro".
Sua primeira peça para o teatro, "Lampião", é montada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro Leopoldo Fróes, em São Paulo, no ano de 1953. É agraciada, pela montagem paulista, com o Prêmio Saci, conferido pelo jornal "O Estado de São Paulo".
Recebe, da Academia Brasileira de Letras, em 1957, o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.
Em 1958, publica a peça "A beata Maria do Egito", montada no Teatro Serrador, no Rio, tendo no papel-título a atriz Glauce Rocha.
O presidente da República, Jânio Quadros, a convida para ocupar o cargo de ministra da Educação, que é recusado. Na época, justificando sua decisão, teria dito: "Sou apenas jornalista e gostaria de continuar sendo apenas jornalista."
O livro "As Três Marias", com ilustrações de Aldemir Martins, em tradução inglesa, é lançado pela University of Texas Press, em 1964.
O golpe militar de 1964 teve em Rachel uma colaboradora, que "conspirou" a favor da deposição do presidente João Goulart.
O presidente general Humberto de Alencar Castelo Branco, seu conterrâneo e aparentado, no ano de 1966 a nomeia para ser delegada do Brasil na 21ª. Sessão da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, junto à Comissão dos Direitos do Homem.
Passa a integrar o Conselho Federal de Cultura, em 1967, e lá ficaria até 1985. Depois de visitar a escritora na Fazenda Não me Deixes, em Quixadá, o presidente Castelo Branco morre em desastre aéreo.
Estréia na literatura infanto-juvenil, em 1969, com "O Menino Mágico", em 1969.
No ano de 1975, publica o romance "Dôra, Doralina".
Em 1977, por 23 votos a 15, e um em branco, Rachel de Queiroz vence o jurista Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda e torna-se a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras. A eleição acontece no dia 4 de agosto e a posse, em 4 de novembro. Ocupa a cadeira número 5, fundada por Raimundo Correia, tendo como patrono Bernardo Guimarães e ocupada sucessivamente pelo médico Oswaldo Cruz, o poeta Aluísio de Castro e o jurista, crítico e jornalista Cândido Mota Filho.
Seu livro, "O Quinze", é publicado no Japão pela editora Shinsekaisha e na Alemanha pela Suhrkamp, em 1978.
Em 1980, a editora francesa Stock lança "Dôra, Doralina". Estréia na Rede Globo de Televisão a novela "As Três Marias", baseada no romance homônimo da escritora.
Com direção de Perry Salles, estréia no cinema a adaptação de "Dôra, Doralina", em 1981.
Em 1985, é inaugurada em Ramat-Gau, Tel Aviv (Israel), a creche "Casa de Rachel de Queiroz". "O Galo de Ouro" é publicado em livro.
Retorna à literatura infantil, em 1986, com "Cafute & Perna-de-Pau".
A José Olympio Editora lança, em 1989, sua "Obra Reunida", em cinco volumes, com todos os livros que Rachel publicara até então destinados ao público adulto.
Segundo notícia que circulou em 1991, a Editora Siciliano, de São Paulo, pagou US$150.000,00 pelos direitos de publicação da obra completa de Rachel.
Já na nova editora, lança em 1992 o romance "Memorial de Maria Moura".
Em 1993, recebe dos governos do Brasil e de Portugal, o Prêmio Camões e da União Brasileira de Escritores, o Juca Pato. A Siciliano inicia o relançamento de sua obra completa.
1994 marca a estréia, na Rede Globo de Televisão, da minissérie "Memorial de Maria Moura", adaptada da obra da escritora. Tendo no papel principal a atriz Glória Pires, notícias dão conta que Rachel recebeu a quantia de US$50.000,00 de direitos autorais.
Inicia seu livro de memórias, em 1995, escrito em colaboração com a irmã Maria Luiza, que é publicado posteriormente com o título "Tantos anos".
Pelo conjunto de sua obra, em 1996, recebe o Prêmio Moinho Santista.
Em 2000, é publicado "Não me Deixes — Suas histórias e sua cozinha", em colaboração com sua irmã, Maria Luiza.
Em novembro de 2000, quando a escritora completou 90 anos de idade, foi inaugurada, na Academia Brasileira de Letras, a exposição "Viva Rachel". São 17 painéis e um ensaio fotográfico de Eduardo Simões resumindo o que os organizadores da mostra chamam de “geografia interior de Rachel, suas lembranças e a paisagem que inspirou a sua obra”.
Rachel de Queiroz chega aos 90 anos afirmando que não gosta de escrever e o faz para se sustentar. Ela lembrou que começou a escrever para jornais aos 19 anos e nunca mais parou, mas considerava pequeno o número de livros publicados. “Para mim, foram só cinco, (além de O Quinze, As Três Marias, Dôra, Doralina, O Galo de Ouro e Memorial de Maria Moura), pois os outros eram compilações de crônicas que fiz para a imprensa, sem muito prazer de escrever, mas porque precisava sustentar-me”, recorda-se. “Na verdade, eu não gosto de escrever e se eu morrer agora, não vão encontrar nada inédito na minha casa”.
Recebe em 6 de dezembro de 2000, o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em 2003, é inaugurado em Quixadá (CE), o Centro Cultural Rachel de Queiroz. Faleceu, dormindo em sua rede, no dia 4 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro. Deixou, aguardando publicação, o livro "Visões: Maurício Albano e Rachel de Queiroz", uma fusão de imagens do Ceará fotografadas por Maurício com textos de Rachel de Queiroz.

TELHA DE VIDRO

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda, na casa velha...

Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô...

Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!

mergulhada na tristura de sua treva
e de sua única portinha...
A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro...

Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade...
Agora, o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia,
aparece uma renda de arabesco de sol
nos ladrilhos vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia...
A luz branca e fria
também se mete às vezes
pelo clarão da telha milagrosa...
Ou alguma estrela audaciosa

careteia no espelho
onde a moça se penteia.
Que linda camarinha!

Era tão feia! — Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão cinzenta, fria,
sem um luar, sem um clarão...
Por que você não experimenta?

A moça foi tão vem sucedida...
Ponha uma telha de vidro em sua vida!

Rachel de Queiroz

Informações retiradas do site http://www.releituras.com/racheldequeiroz_bio.asp