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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

PALHAÇO





Palhaço

Cara esbranquiçada
provoca medo e riso,
cambaleia sem saída
nos enormes sapatos.

Gargalha a freguesia.

Coloridos pingentes
caem dos floreados laços,
dá cambalhotas,
senta e levanta
em desmedida alegria.

Sem borrar a boca vermelha
- aberta de orelha a orelha -.

Cabeleira postiça,
não esconde a careca
só a vida secreta
cheia de provação.

É minúsculo o chapéu,
cruzes negras nos olhos
escondem lágrimas,
só precisa alegrar o povaréu.

Faz rir,
faz chorar,
desperta o sono da criança,
o sonho da infância...

Percebe indiferentes almas,
fareja tristeza,
a inutilidade da fantasia
não engana a doença.

Insistente faz estrepolias,
provoca gargalhadas
desvia, tropeça
bate palmas.
Leva um pontapé
toma bolachada
e cai na solitária coxia.

O show da vida recomeça.





Soninha Porto


Um comentário:

Leila Silveira disse...

o palhaço nas artes é o personagem mais autêntico puro e genuíno, pq saido do imaginário popular é o alegre triste,demosnta nossas emoções.

nós do teatro e da arte circense temos o maior respeito por este que é o mais nobre entre os nobres.

a poesia homenageia e canta belamente reverenciando o artista,pq o "show sempre recomeça".

lindo Soninha


bjs